segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Segunda... E a Sombra de Uma Saudade...

Meu despertador matinal atende ora por Gabriel, ora por Beatriz. Neste aspecto, Sophia é a que mais parece comigo: gosta de dormir mais um pouco.
Apesar do sono infinito que sinto neste horário - geralmente antes da 05:00 - aprendi com eles a acordar feliz, de domingo a domingo, de janeiro a janeiro!
Ontem foi ela que despertou. Geme, chama, choraminga... Retiro aquela bolinha de carne e amor do berço e seu dedinho de falanges gordinhas já indica para onde quer ir: para fora do quarto!
Desço com ela em uma tentativa de prolongar o sono do resto da família e ganhamos companhia perto das 07:00.
O segundo a acordar foi o príncipe. Com um chamado que mais parecia um lamento de tanto dengo implícito. Ele junta-se a nós, por milagre em uma velocidade ainda reduzida por conta da preguiça.
Mas essa ilusória desaceleração dele não dura muito e, em questão de minutos, já está brincando com a miúda cujo olhar apaixonado revela todo ardor daquele amor de irmão.
Por fim lá vem ela... Descendo as escadas no colo do pai, sussurra um bom dia quase inaudível e deita no sofá, em uma mistura de dengo e preguiça sem proporções.
Olho para aqueles pequenos seres e agradeço por mais um dia, certa de que, muitas vezes, sequer precisamos fechar os olhos para poder sonhar...
Domingo é dia de missa, de piscina, de churrasco, de parquinho, de visita em casa e fora dela...
É dia de celebrar com a família o início de mais uma semana abastecendo o coração para suportar as separações. A saudade é a minha sombra diária, a minha certeza ao entrar no carro para trabalhar. E depois de um dia tão juntos, impossível não tê-la mais forte no dia de hoje.
A miúda acenou, o pequeno príncipe choramingou:"Queria que você ficasse!" - e a primogênita, horando meu nome e me matando de inveja, dormia. A mãe, combalida por uma noite mais partida que vôo da VASP, tenta trabalhar ainda que a vista insista embaçar...
E, nessa mistura de sono, cansaço e saudade, começo a semana no saldo negativo. Se existisse um banco de horas para a Waleska Mãe, eu certamente folgaria e hibernaria por um ano.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Ciúme.

"Porém, a causa do ciúmes não é lembrança dos privilégios perdidos. Os irmãos mais novos, que nunca foram filhos únicos e que não puderam acostumar-se a ser "os reis da casa" também sentem ciúmes dos seus irmãos mais velhos. Ter sido coberto de mimos nos primeiros anos provavelmente não aumenta os ciúmes, mas os diminui, ou talvez dê às crianças suficiente confiança para suportá-los.
Os ciúmes costumam ser maiores quanto menor for a diferença de idade, porque o mais velho ainda precisa do mesmo (colo, mimos, companhia constante) que o mais novo, e portanto a competição é maior. Os ciúmes entre irmãos são absolutamente normais e é absurdo (e muitas vezes contraproducente) tentar negá-los, reprimi-los ou erradicá-los.
Podemos ajudar a criança ciumenta demonstrando nosso amor incondicional. Ela precisa saber que não tem que ficar ciumenta para conseguir nossa atenção, mas também deve saber que continuamos amando-a mesmo quando ela fica ciumenta. Podemos tentar canalizar seus ciúmes para manifestações mais positivas, ajudá-la a demonstrar como é grande e esperta. Mas não podemos desejar ou esperar que uma criança não tenha ciúmes. Isso seria antinatural."

Excerto do Livro Besame Mucho do Dr. Carlos Gonzalez

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A Sombra de uma Mãe e seu Eterno Desafio...

Às vezes as segundas possuem um sentimento extra além da saudade...
Um sentimento que parece ser comum a muitas mães, mas cuja coletividade não diminui nem ameniza este sentimento.
Hoje ele acordou ainda mais latente em mim, convertido em uma forte enxaqueca que só aumenta com a enorme vontade de chorar que sinto neste momento.
Nada me deixa tão triste comigo mesma do que perceber que mesmo diante de inúmeras tentativas de melhorar, continuo falhando na mesma coisa, em uma freqüência menor, talvez, mas isso não melhora em nada esse peso que sinto em meu coração.
Foi um fim de semana cansativo, embora cheio do amor deles. E embora eu não tenha explodido com nenhum deles, a irritação e a impaciência foram obstáculos para tornar estes dias divertidos. Pelo menos para mim...
É que as crianças sempre nos perdoam no segundo seguinte... Mas esse perdão não necessariamente significa que não tenhamos deixado marcas em seus corações.
Começo a semana de contador e de coração zerados. E com mais uma promessa de paciência a ser cumprida. Mas, nesta semana, vou incrementar a promessa com Jejum e Oração. Se sou incapaz de mudar sozinha, tenho fé que no Cristo hei de encontrar o meu turning point.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Vínculo da Afeição!

É a constante luta contra minha própria sombra, ou contra o que restou dela depois que me tornei mãe, que dia a dia tem me redefinido como ser humano.
Uma luta contra os conceitos e paradigmas que foram construídos ao longo de anos, que buscam qualquer outra coisa exceto fortalecer o vínculo entre mãe e filho.
Tudo na maternidade, hoje, é sinônimo de anulação, de sacrifício, de trabalho... E essa constante lamúria há tempos vem me incomodando e me intrigando, como aquele sapato lindo que vemos na vitrine e que esconde, em sua beleza, aquele calo sensivelmente dolorido.
É no mínimo estranho esta gritante luta pela independência das crianças em favor da liberdade de seus pais. E o mais sinistro nesta situação é a total cegueira de alguns pais que insistem em seguir qualquer vento que sopre, exceto seu próprio entendimento, seu próprio instinto.
São pais que sofrem sentindo culpa quando seus filhos compartilham a cama mas são incapazes de sentir esta mesma culpa por deixarem seus filhos em tempo integral em uma escola.
São pais que tiram férias de seus próprios filhos por que, hoje, férias e filhos são sinônimo de cansaço, de trabalho e não de prazer.
Aos poucos, a mentalidade destas mães foi sendo moldada e hoje, este dom único, esta dádiva divina, carrega consigo o preço da independência, os traços do desamor...
Dedicar-se aos filhos, hoje, é sinônimo de organizar suas agendas e administrar suas atividades, é colocar as crianças em tempo integral em uma escola despachando-os em transportes escolares para economizar o tempo que é dedicado à carreira; é colocá-los em frente a uma TV para poder ter mais tempo livre para fazer o que deseja; é deixá-los chorar até que aprendam - ou acostumem - a dormir sozinhos quando ainda são bebês para que seja possível dormir da mesma forma que antes deles terem nascido... Quantas vezes ouvi: "Não sei como você aguenta ficar em casa com três crianças!";"Você precisa de uma babá para poder dormir à noite."; "Você precisa descansar!"... Quantas pessoas me olham com ar de reprovação quando digo que só dormi longe de meus filhos quando precisei ir ao hospital para os partos, como se  se fazer o que desejo fosse uma escravidão...
E foi assim, nesta rotina de constantes descobertas que me vi imersa neste universo tão maravilhoso, tão cheio de amor... E este amor, assim como em um processo de conversão, foi dia a dia me modificando, aparando as arestas, abrindo possibilidades e despertando desejos. E, sem perceber, os traços deste amor me redefiniram, me transformaram.
Nesta minha constante luta por ser alguém melhor para eles, alguns termos foram solidificando o entendimento desta sublime missão que é ser mãe: acho que a criação com apego e a disciplina positiva já me riscaram como tatuagem... E, neste caminho, não deixo rastros para sequer cogitar em voltar: em um mundo com conceitos cada dia mais flexíveis, a  virtude, muitas vezes, está no extremo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pequeno Príncipe em Crise...

Amanheceu...
A miúda me desperta antes das 05:00 e se estica toda no berço me pedindo para tirá-la de lá.
O quarto ainda escuro é um aliado para enganá-la. Sem saber se já é dia, aninha-se como uma gatinha manhosa em meus braços e eu fico ali, me embriagando naquele cheiro viciante, agarrada àquele corpinho minúsculo cheio de dobras.
Ao meu lado, o pequeno príncipe ronca...Por vezes tenta colocar o dedo na boca, mas eu gentilmente retiro. Um gesto que se repete várias vezes durante a noite.
Dormimos lado a lado, agarradinhos... E eu sussurrei em seu ouvidinho várias vezes o quanto o amo, o quanto ele é único e especial.
Tenho percebido nele traços de ciúme, carência, uma rebeldia gratuita... Tentativas claras de reclamar atenção através do choro, da desobediência, da regressão...
Por momentos é algo realmente cansativo e irritante e demanda de mim um auto controle que só mesmo com intervenção divina sou capaz de manter. Por outro lado, a certeza de que estes comportamentos são frutos de um coraçãozinho inquieto e sentido me leva a encontrar aquele resto de fôlego que se dedica única e exclusivamente à ele no nosso momento de dormir.
São conversas ao pé do ouvido, sussurros, diálogos do nosso dia que alimentam nosso amor e inspiram nossos sonhos. Quanto tempo ele ainda desejará dormir assim comigo? Não sei... E nem gosto de imaginar! Este tempo ainda nem passou e eu já sinto a saudade me riscar...
Saí de casa e ele ainda dormia... Ligo para saber se acordou, se chorou, como está... Conversamos pelo telefone em uma tentativa (minha) desesperada de diminuir a saudade que sempre é muito mais intensa nas segundas feiras...
Ele me diz:"Queria ter dado um cheiro, um abraço e um beijo!", eu respondo que também gostaria, mas que ele dormia tão sereno que mamãe não quis acordar. Me despeço com uma vontade louca de me teletransportar para ver aquele sorriso que me desmonta. Começo a contar os segundos para nosso reeencontro... É mais uma semana que começa!



Sobre o Homeschooling...

Há quem passe pela experiência da maternidade sem saborear nenhuma transformação exceto a física...
No meu caso, isso não foi possível... Principalmente por que eu desejei estas mudanças; na verdade, ainda desejo muitas outras...Meus filhos vieram como chegam os anjos... E cada experiência trouxe, consigo, uma enorme bagagem, tanto emocional quanto física.Algumas pessoas costumam dizer que depois do primeiro filho tudo fica mais simples, mas a simplicidade não diminui a emoção, a ansiedade, a expectativa...O meu coração, inquieto por natureza, tenta alcançar o que se passa na cabecinha de cada pequeno ser daqueles com tantos medos, anseios, transformações...Dia a dia, a busca foi se concentrando, assim como os sentimentos. De repente, as respostas começaram a surgir de maneira simples, bastou apurar um pouco mais meu olhar.Assim, esqueça manuais e receitas; esqueça TUDO o que construíram e venderam como fórmula para educar filhos. Tentar enquadrá-los em determinada categoria é, afinal, limitar suas capacidades, diminuir suas potencialidades e colocá-los na redoma do padrão, em uma aparente isonomia que, muitas vezes, os nivela pela fundo e os faz caminhar no sentido contrário.NINGUÉM é mais capaz do que um pai ou uma mãe para descobrir e incentivar nos filhos suas potencialidades; ninguém é mais capaz de fazê-los aprender a lidar com suas limitações, com seus temperamentos - e aprender com eles também - NINGUÉM.Permitir que usurpem isso dos pais e, ainda, legitimar essa usurpação como uma aparente proteção à criança é algo nefasto, diabólico, maligno.Aos poucos as escamas da "normalidade" caem e eu vou prosseguindo em um caminho desconhecido e pouco trilhado, mas com a luz que emana do alto, vou sendo guiada, conduzida.Afinal, é preciso ter fé para permanecer neste mundo...Afinal, é preciso crer que, ainda que contra a correnteza, nado, puxando a reboque, nossa família.Prossigo percebendo, cada dia de maneira mais cristalina, que nossas escolhas, fundamentadas NAQUELE QUE É, manterão nossos filhos (mentalmente) sãos e (espiritualmente) salvos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Desafio Yell Less Love More - Bônus 01

Quantas vezes você disse: "Depois!" quando seu filho chamou para brincar?
Quantas vezes você disse: "Estou ocupada!" "Estou Cansada!"?
Qual foi a última vez que você sentou sem preocupar-se com a casa para limpar, com a rede social, com a pia de pratos para lavar?
Deixe a casa de lado, deixe os pratos na pia, abandone o mundo virtual e entregue-se de corpo, alma e coração aos seus filhos.
Este é o bônus de hoje.
Posso afirmar, sem a menor sombra de dúvidas, que o resultado deste abandono será pleno de amor e realizações...

Minha Constante Luta e Meu Novo Desafio

Mães vivem cansadas...
Pelo menos quase todas que eu conheço...
E eu, lógico, não poderia ser diferente...
Mas, com o episódio da mudança, esse cansaço triplicou, transformou-se em torcicolo, migrou para uma gripe, mesclou-se com uma enxaqueca e... a mãe irritada e desequilibrada voltou!
Voltou cheia de NÃO desnecessário, cheia de olhar de repressão, cheia de irritação, de reclamação, de resmungos e de tudo que eu mais detesto em mim!
Sim, eu luto contra esse meu gênio com toda minha força física e espiritual, e um dia hei de lançar fora o "homem velho" para revestir-me do "homem novo".
E, para isso, preciso estar sempre atenta, vigiante, tentando matar de inanição comportamentos que não desejo alimentar e, assim, transformando-me de maneira permanente.
A maternidade veio ao meu encontro como minha salvação, como minha chance concreta de realização. Veio dar continuidade ao amor, frutificando e nos perpetuando para outras gerações.
O meu desejo, lógico, é formar pessoas com valores e virtudes, pessoas que farão diferença por onde passarem e, para isso, eu preciso ser exemplo.
Por isso, aqui vou eu, iniciar novamente meu #DesafioYellLessLoveMore, incrementando-o com alguns bônus diários para que a superação constante e a vitória tenha ainda mais valor.
Quando comecei o primeiro desafio, fui recebendo, aos poucos, comentários e perguntas de como estava sendo, se como eu conseguia... E pude perceber, em um universo pequeno de pessoas, que muitas mães - e pais também - sentiam o mesmo que eu sentia, torciam e se identificavam com o que eu postava. Não é um consolo, mas alivia um pouco o peso que muitas vezes carrego de me sentir uma bosta quando perco o controle.
Assim, se você também não está feliz com seu comportamento, com sua impaciência e com o convívio diário com o remorso e a culpa, #VemComigo!
Hoje é só o primeiro dia!!!




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um Novo Lar!

Aos poucos e com muito trabalho a casa vai ganhando a nossa cara...
As caixas vão ficando vazias e os cômodos preenchidos com as nossas coisas; um espelho do que vivemos e um reflexo do que ainda sonhamos aqui viver... São os retratos nas paredes, os santos pela casa, os livros nas estantes, os brinquedos que denunciam que há crianças aqui, graças a Deus.
Os pés sinalizam o ir e vir. Inchados e doloridos, latejam quando me deito. Do couro cabeludo ao dedo do pé tudo é dor: dor de exaustão, dor de satisfação, dor de quem deita exausta mas fica pensando em tudo que ainda falta por em ordem.
É o caos que antecede a organização; é a alegria de encontrar o lugar perfeito para cada coisa, a satisfação de perceber a gratidão e a admiração pelo seu trabalho, pela sua dedicação.
A casa menor acolhe melhor, mas exige malabarismo para guardar o que antes repousava nos armários que sobravam. No meio da arrumação, coisas ganham novos donos e novos destinos. Uma tentativa de desapego dificultada pela história que cada coisa traz em si.
Estes dias fui menos mãe e mais faxineira, arrumadeira, pedreira, eletricista, carpinteira... Eles, livres do meu olhar de lince, brincaram até o limite da exaustão, sujaram-se na lama do divertimento, usufruíram de um jardim que já acolhe suas pegadas e seus sorrisos.
O cachorro, em sua nova casinha, parece sorrir de satisfação. Cava, deita, corre, brinca, late, pula... Observa atento seus companheiros pensando, certamente, quão desajuizados são, quão loucos por ele são. E ele retribui, mordendo sem machucar, lambendo, choramingando quando eles se ausentam cruzando o portão para a rua.
No momento, o silêncio é quebrado pelos grilos. Todos dormem em seus novos cômodos, limpos e cheirosos, recuperando as energias para a semana que começa.
É o tempo que não para. É a vida que segue dando o rumo. É a certeza de que a felicidade já reside aqui, de que o amor já ocupou seu espaço e de que esta casa já pode ser chamada de NOSSO LAR.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Adeus à TV

Quando tirei a TV percebi que muito do que tentava ensinar aos meus filhos, ela me roubava...
Percebi, de forma assustadoramente clara, quem era que estava ensinando aqueles comportamentos detestáveis que tanto me roubavam a calma.
Os dias ficaram mais tranqüilos, as crianças também, o som que escutamos aqui agora é o da conversa deles que antes só interagiam para pedir os brinquedos maliciosamente oferecidos nas infinitas propagandas que só alimentam o consumismo.
Por aqui, há momentos de silêncio também, quando só escutamos os sons das suas risadas e os gritos de alegria que chegam da rua ou do jardim quando estão brincando sozinhos ao ar livre ou correndo com o cachorro.
Se ainda me pedem para assistir? Sim, pedem, mas tão pouco que eu mesma me surpreendi com a facilidade de adaptação a esta nova rotina. Por instantes, reflito e até penso que a dificuldade maior em retirar este e outros vícios das crianças é própria de nós, pais e mães, tão atribulados, tão cheios de coisas para fazer que simplesmente negligenciamos e delegamos a atenção.
Em um mundo onde estamos sempre em alta velocidade, retirar o pé do acelerador pode significar também ter que voltar os olhos para tudo que acabava passando despercebido pela rapidez do olhar.
"O ritmo da criança não é o mesmo do adulto moderno das grandes cidades. O ritmo do adulto é artificial e regula-se pelo tempo mecânico do relógio; o ritmo da criança é vital e regula-se pelo tempo fisiológico e pelo tempo cósmico.
Importunada pelo adulto, que lhe diz continuamente "despacha-te", a criança acerta o passo, mas deixa de obedecer ao seu ritmo vital e perde o seu equilíbrio.
É muito importante, para a boa saúde da criança, não forçar o seu ritmo e evitar as pressas, atribuindo-lhe obrigações de modo a que ela as possa cumprir pausadamente, com o cuidado e a elegância de que Jesus Cristo Ressuscitado nos deu exemplo."
Por aqui a velocidade está sendo dia a dia reduzida... Tenho procurado viver de maneira leve, buscado silenciar cada vez mais a nossa casa e, assim, abrir espaço para que as crianças também amem o silêncio e tudo de maravilhoso que dele deriva. "O mundo deseja o barulho porque, no fundo, o silêncio é Deus."
Há quem questione e critique nossas escolhas por acha-las demasiadamente "radicais"... Mas nós prosseguimos! Em um mundo onde só se trabalha para criar leis que roubem a autoridade dos pais, nós seguimos tentando exercê-la nos moldes e padrões ditados pela Lei do Cristo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Incrementando Meu Desafio

A minha decisão de mudar veio quando percebi meu comportamento espelhado em meus filhos...
Nada é mais eficiente na educação que o exemplo, e eu precisava - e preciso - mudar a minha maneira de reagir às bobagens típicas de uma criança sem surtar.
Sempre havia uma desculpa, como o cansaço, o corre corre do dia a dia, mas no fundo nenhuma das justificativas que eu dava me convencia ou aliviava o remorso que eu sentia sempre que explodia com eles.
Hoje vejo que o processo é longo e difícil, pois há inúmeros fatores que dificultam esta mudança, e o cansaço, sem dúvidas, é um deles. Mas não tenho me deixado abater e sigo firme no meu propósito de mudar, vencendo um dia por vez, recomeçando quantas vezes for necessário, mas, acima de tudo, percebendo que de uma forma muito sutil estou conseguindo me controlar e me desintoxicar desta velocidade toda que o mundo nos impõe e que nos contamina de uma forma que estamos sempre esgotadas com tantas atribuições vencidas e inúmeras outras por vencer.
O que tenho feito, além de cultivar um espírito manso, é desacelerar... Tenho estabelecido as prioridades e colocado eles no primeiro lugar da lista SEMPRE. Não que eles não estivessem antes, mas eu estava sempre dando um desculpa e empurrando com a barriga o tempo com eles. Hoje, quando percebo que eles estão carentes, paro o almoço, deixo a casa virada de pernas para o ar e vou me sentar para dar 100% de atenção, para simplesmente ouvir o que eles querem me dizer. Parece bobagem, mas este simples gesto tem significado muito para eles e tem reduzido algumas crises por aqui.
Tenho me policiado para estar extremamente calma na hora de colocá-los para dormir, contando estórias ou simplesmente conversando como foi o dia, e isso também tem feito a diferença. Aos poucos a gente aprende que é necessário sim quebrar a rotina algumas vezes pois é muito mais estressante  colocar uma criança sem sono para dormir do que permitir que ela prolongue um pouco e vá dormir mais tarde. 
Este fim de semana resolvi incrementar meu #DesafioYellLessLoveMore...
Neste fim de semana vou simplesmente dizer Não ao "Não Desnecessário" e vou abrir mão de meu cansaço, de meu comodismo e do meu vício nesta palavra quando eles me pedem algo perfeitamente possível e imediatamente recusado por qualquer destes motivos anteriormente descritos. 
E vamos não apenas pular casas no desafio, mas, acima de tudo, vamos riscar os corações com a tinta do amor, vamos preencher estes corações de doces lembranças regadas a risadas. E, assim, quem sabe,  vamos calar para fazer o amor vencer o grito.

domingo, 30 de agosto de 2015

Um Dia de Domingo.

Domingo...
A chuva que faz a grama vibrar de alegria faz também a temperatura cair e, com ela, despenca a minha vontade de levantar às 05:00...
Mas ela é pontual! Com seus resmungos ininteligíveis já demonstra que não quer mais ficar no quarto e reclama para sair.
Apresso-me antes que ela acorde Gabriel. Se ele já está insuportável dormindo bem imagine com sono! Descemos e ela já pede para ir para o chão. Explora tudo, olhos vivos, mãos ágeis e rápidas. Não posso tirar o olho pois a boca é o destino para tudo.
A noite partida demonstra seus sinais nos incontáveis bocejos que dou. Há uma disputa sonora entre eles e a minha barriga que ronca de fome. Engano Beatriz com uns bolinhos de goma para ela ficar na sua cadeirinha enquanto improviso um café para matar a fome e despertar. O dia de hoje é sempre mais longo e preciso de energia e doses cavalares de paciência para suportar.
Vou me abastecendo com o sorriso dela que, além de abrigar luz maior que o sol, já apresenta dois dentinhos lindos.
Aos poucos, sentindo o cheiro da comida, a casa vai acordando... Cada um que desça a escada mais ofuscado, descabelado e lindo.
A chuva nos mantém entre quatro paredes... Vendaval e Ventania começam a desordem!!! Aos poucos, a casa é invadida pelo som de suas risadas. Depois de responder uns 1500 "Mamãe!" consigo finalmente terminar de tomar meu café.
A chuva se despede e leva consigo as nuvens que escondiam o sol. Sem demora, a rua é invadida pelas crianças que ela prendia em casa. E, assim, começam os encontros, as visitas...
Apesar de todas minhas tentativas de evitar conflitos, Gabriel entra no modo "Garoto Problema" e começa a arrumar confusão com um dos amiguinhos. Primeira crise do dia! Choro, grito, histeria, mais choro... Ne sei quanto tempo durou, mas me pareceu uma eternidade.
Domado, ficou em casa sozinho usufruindo seu castigo enquanto Sophia brincava na casa vizinha.
Cai a tarde... E, com ela, mais crianças chegam para aumentar a patota. Eles brincam na terra molhada, correm, brigam... Consigo contabilizar sete incluindo Beatriz que demonstra toda alegria de estar naquela farra balançando eus bracinhos e suas perninhas enquanto dá gritos de euforia.
Escurece... Subo com eles para um banho coletivo com direito a bucha para tirar o grude do dia. Olho para aquela água marrom que escorre daqueles corpinhos ensaboados... Um dia inteiro de brincadeiras e ainda estão com um tanque de energia para dissipar.
Beatriz já demonstra o cansaço de um dia inteiro engatinhando. Subo com ela para o combo banho+leite+cama. Ela apaga.
Alimento a dupla que a esta altura, limpa e cheirosa, assiste TV sem resmungar. Ao final de mais uns 1500 "Mamãe!" consigo enfim terminar de jantar.
Junto-me a eles para mais alguns minutos de desenho. Neste instante, percebo que há tempos não me deitava assim com eles, tão aconchegada a eles, nos esquentando mutuamente, jogando conversa fora, rindo das bobagens nos desenhos, sem interferência de internet ou eletrônicos, sem precisar dividir minha atenção com ninguém exceto com eles.
Às 08:30 eles se entregam... E o silêncio retorna para o seu lugar na casa. Apesar de não ter conseguido sair do negativo, hoje tive progressos na minha infinita e incansável tentativa de vencer o #DesafioYellLessLoveMore.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A Criança Mais Feliz do Pedaço.

Tenho uma fome quase insaciável de ler...
E, desde que fui mãe, para ser exata quando recebi o exame positivo de Sophia, comecei a ler tudo que achava interessante e apropriado ao universo materno.
Já li muita coisa, muita coisa inútil inclusive, mas, mesmo naqueles livros onde eu percebia que não aplicaria quase nada do que lia, sempre existia algo que eu "adaptava" à minha realidade de mãe.
Acho que, na verdade, nascemos mesmo com o instinto, umas com ele mais aguçado que outras, certamente...
Comigo foi assim... Não sei se por ser um desejo que sempre habitou em meu coração, mas desde o primeiro instante em que a segurei em meus braços, eu sabia que NINGUÉM, absolutamente NINGUÉM, poderia fazer melhor o que eu, à partir daquele momento, faria por ela. E foi assim, e está sendo, com todos três.
Mas a fase bebê de Sophia e Gabriel já passou... E, hoje, tento fazer por eles o melhor que posso na mesma proporção, na mesma intensidade, mas, confesso, há dias que me pergunto se estou conseguindo mesmo, tamanha é a sensação de fracasso.
Por isso, dei um tempo em minhas outras leituras para ler este livro que dá nome a este post. E, embora muita coisa ali seja utopia, tenho aplicado algumas coisas e percebido resultados.
As birras por aqui continuam em uma intensidade LOUCA! Principalmente da parte de Gabriel que tem feito TUDO e mais um pouco para me tirar do sério. Parece até que sabe que estou tentando com todas as forças vencer meu #DesafioYellLessLoveMore...
Há alguns dias as coisas por aqui simplesmente enlouqueceram e eu estou me sentindo em uma ladeira, descendo na banguela. Choro por todos os lados, gritos, brigas, birras... E um não sei quanto de outras variáveis que impliquem paciência de santo!
Eu estou há dois meses tentando vencer um comportamento meu, na esperança de que, como exemplo, consiga vencer o comportamento de duas crianças. Mas, olhe, tem horas que parece mesmo IMPOSSÍVEL!
Bem, desabafos à parte, vamos ao lado Polliana do post...
Há dois dias, em meio à tempestade, comecei a aplicar algumas "técnicas" para tentar acalmar minha dupla dinâmica Vendaval e Ventania...
 - Comecei procurando identificar a linguagem do amor deles (Do Livro As 5 Linguagens do Amor, de Gary Chapman). E, com isso, tenho sempre tentado demonstrar, na linguagem de cada um, o quanto eu os amo.
 - Através de outros livros (The Temperament God Gave You de Art Bennet e Temperamento Controlado pelo Espírito, de Tim Lahaye), estou aprendendo a lidar com o temperamento típico de cada um (e com o meu próprio), embora ainda tenha dúvidas em qual temperamento enquadrá-los e enquadrar-me;
 - Tenho aplicado algumas técnicas bem simples e bobas do livro A Criança Mais Feliz do Pedaço e, surpreendentemente, tenho visto resultados, como por exemplo, dar atenção exclusiva a cada um por um mínimo de tempo que seja; incentivado e elogiado seus bons comportamentos à despeito de ficar o tempo inteiro reclamando, parado minhas atividades várias vezes ao longo do dia para dedicar um pouco de atenção a eles e, literalmente, IGNORADO as birras de menor intensidade. É que eu estava percebendo em mim um espelho do comportamento deles e fazendo birra também. Parece brincadeira, mas não é! Em certos momentos eu simplesmente não abria e só deixava passar quando faziam100% do meu jeito. A receita é literalmente desastrosa, nem preciso dizer.
 Parece bobagem, mas às vezes nós só pioramos as coisas quando insistimos em impor a eles um comportamento que, aos nossos olhos é o modelo. Por aqui, percebi uma piora drástica no comportamento de Gabriel quando resolvi fazer guerra de braços com ele. Eu podia até vencer na força, mas estava longe de ser o tipo de abordagem dos sonhos.
Enfim, cada dia que passa percebo que não há uma receita de bolo para educar. Sempre haverá de ter aquele toque especial, aquele que só quem cozinha sabe dar.
Por aqui, o meu tempero tem sido a compreensão. E um pouco de plasticidade para a minha tolerância e para a minha paciência.
Felizmente, a criação de filhos está cheia de segundas chances...
Eu já nem sei qual segunda chance é esta minha!
Mas, vamos em frente! Enquanto tentamos ensinar um pouco a eles, seguimos aprendendo muito mais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Evolução de uma Mãe e do seu Desafio.

"Se você quer tirar proveito da autoridade natural que Deus concedeu aos pais, aceite que seus filhos se tornem iguais a você, e eles o obedecerão com uma docilidade impressionante. Mas, se você tem horror de si mesmo, tente se corrigir a si próprio para poder servir de modelo em vez de corrigir a sua imagem projetada nos filhos. É simples, mas exige engolir alguns sapos."Olavo de Carvalho
Há dias venho questionando minha abordagem com Gabriel. E tenho percebido que, embora tenha melhorado muito no quesito descontrole, estou muito a desejar na questão da irritação, da paciência, da dedicação. Tenho tido dificuldade em realizar qualquer atividade sem que ele apronte alguma e me tire do eixo com a desobediência dissimulada e com o choro desmedido e escandaloso que se segue sempre que ele vai para o castigo.
Tenho percebido que de nada tem adiantado a marcação cerrada, que ele muitas vezes chora com ressentimento e não simplesmente por malcriação. Foi aí que vi um texto do Professor Olavo de Carvalho e, como no filme Uma Mente Brilhante, a minha mente abriu-se e meu coração deu sinal.
O #DesafioYellLessLoveMore prossegue, e seguirá por toda minha vida. Por mim, mas, principalmente, por eles. E este desafio tem operado mudanças em mim que, acredito, serão fundamentais para a construção de um lar harmonioso com filhos felizes e equilibrados.
Não adianta apenas não gritar, não adianta passar dias sem levantar a voz se o tempo que estamos dedicando a eles está sendo sem qualidade. É necessário organizar as prioridades!!! Deixar um pouco de lado a agenda lotada de tarefas e jogar com eles, brincar, deitar juntinho assistindo uma programação deles. Isso sim me faz ver resultados!
É muito difícil, para mim, perceber a sutil diferença entre um comportamento típico da idade e uma crise de ciúmes que reclama atenção, colo, amor, compreensão...
Quanto de mim não compreendeu isso...
Quanto de mim exigiu tanto dele...
Hoje rasguei o pano que cobria meus olhos, pedi a Deus ajuda e perdão, zerei mais uma vez o meu contador e fiz mil novos planos!!!
Nestes planos, os gritos que ecoarão serão de alegria e as marcas que eles deixarão serão pegadas de saudades.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Desafio Yell Less Love More

Há quase dois meses iniciei o #DesafioYellLessLoveMore: trinta dias ininterruptos sem gritar com os meninos. Neste intervalo, alguns recomeços, mas sobretudo, um infinito de mudanças positivas. Havia em meu coração o peso constante do remorso e da culpa. E por mais que eu justificasse a mim mesma que eu tinha motivos para ter perdido o controle, nada aliviava aquela sensação de fracasso que deitava comigo diariamente. Nestes quase sessenta dias eu não lembro quantas vezes tive que recomeçar, mas lembro que em apenas uma esta velha sensação me acompanhou quando deitei. Eu não concluí o desafio, muito pelo contrário, estou longe disso, mas os frutos que estou colhendo já fizeram valer a pena todo o esforço - e que esforço! Hoje, em particular, deito-me orgulhosa de ter conseguido ser a mãe que sonho me transformar. E, se já consigo visualizar em mim alguns traços dela, é por que outros que desejo matar já estão perdendo a força. Nesta dura batalha, tenho certeza, vencerá o amor, e os frutos que brotarão dele fará valer cada segundo deste desafio...