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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Temperamentos

Eu não me acho preparada para ficar falando sobre temperamentos, mas posso, aqui, fazer um breve relato de como aprender um pouco sobre este assunto me ajudou no convívio com as crianças.
A primeira vez que escutei falar sobre temperamentos foi em uma aula do Rafael Falcon (As Crianças e o Trivium - link AQUI). Até então, temperamento, para mim, era sinônimo de humor, só que um pouco menos mutável.
Despertado o interesse, comecei a pesquisar sobre o assunto. Isso foi em 2014, logo que começamos a pensar em educação domiciliar. Comprei um livro da Editora Quadrante, Conheça Seu Filho, de Anna Maria Costa. Ali eu consegui saber bem por alto quais eram os tipos de temperamentos, alguns pontos fortes e fracos, mas permaneci completamente perdida, porém MUITO interessada no assunto.


Comprei, então, o livro Temperamento Controlado Pelo Espírito, de Tim Lahaye (Compre AQUI). Este livro me fez entender melhor sobre cada temperamento e me fez enxergar algumas características em cada pessoa daqui de casa. Meu desejo não era apenas "enquadrar" cada um, mas sobretudo trabalhar seus pontos fortes e fracos usando-os sempre a nosso favor. Esta peregrinação me fez conhecer e compreender meu temperamento, o que já ajudou MUITO na minha relação com as crianças. 



A questão do temperamento, mais do que me ajudar a compreender o dos nossos filhos, me fez entender o meu e, assim, tentar sabotar minhas fraquezas ao ponto de mantê-las controladas. Depois de ler estes dois livros, ainda havia (e óbvio que ainda há) lacunas que eu não compreendia e, tão pouco, sabia como preencher. Foi quando eu assisti uma aula do Dr. Ítalo Marsili do curso Afetividade e Harmonia Familiar (Link para o Curso AQUI) que, ouso dizer, foi um marco para o entendimento dos temperamentos das crianças, sobretudo o de Sophia, cujo traço melancólico eu ignorava.

Prossegui o meu estudo com um PDF do Rev. Conrado Hock que alguém me enviou no Instagram. Com uma linguagem bastante simples, este PDF agregou mais algumas informações importantes para que eu me conhecesse e conhecesse melhor os meus. Consegui encontrar o PDF gratuito na internet, por isso disponibilizei ele no meu Google Drive (AQUI). 

Mais do que fazer um estudo comparado com os diversos livros que li, o meu estudo busca tão somente o conhecimento necessário para meu crescimento e para que eu possa me servir inclusive de minhas fraquezas neste processo. Eu olho para o temperamento como uma herança irrenunciável e, portanto, algo que preciso conhecer e tentar manter sob controle. Se para mim este caminho é por demais difícil, que dirá para as crianças, que contam com o tempero da imaturidade para dificultar ainda mais o processo.

Na seqüência de leituras, veio Como Desenvolver o Temperamento de Seus Filhos. Neste livro encontrei descrições tão precisas que por vezes pensei que a autora estivesse falando ora de mim, ora de nossos filhos. Foi um livro muito difícil de encontrar (consegui no Mercado Livre), mas que valeu cada centavo de tempo e dinheiro investidos. Um dos pontos positivos deste livro, para mim, foram as descrições dos temperamentos mistos. Embora tenhamos um temperamento predominante, o conhecimento deste secundário pode ser a chave para "Abrir as portas da Esperança". Aqui, com Sophia, isso foi FUNDAMENTAL e, desde então, lido com muito mais jogo de cintura com as suas "crises".



Em Temperamentos Transformados (Compre AQUI), Tim Lahaye nos apresenta quatro personagens bíblicos como exemplo para a mudança possível e desejada. Nos alimenta da esperança de que "Deus não está tão interessado em mudar circunstâncias, como em transformar pessoas". Este livro me fez acreditar que muito mais do que apenas manter meu temperamento sob controle, Deus pode mudá-lo, lembrando sempre que "esta mudança não depende do conhecimento dos quatro temperamentos, mas da plenitude do Espírito". 




Ainda tenho outras obras para ler por aqui, mas por enquanto dei uma breve pausa para suprir lacunas mais urgentes. Com o conhecimento que este breve estudo me trouxe, pude observar uma mudança considerável em mim e na minha forma de conduzi-los no nosso cotidiano. A simples forma de falar já pode ser um ponto gatilho e, ao identificá-lo, evito os incêndios ao invés de correr para apagá-los. 

Compreender o lado melancólico de Sophia me trouxe uma paciência nunca experimentada, ainda que em determinados momentos de conflitos eu praticamente esqueça das orientações e acabe tendo que trabalhar de maneira corretiva e não preventiva. Com Gabriel, aprendi a ceder sem achar que estou sendo fraca, dividindo com ele as escolhas, fazendo com que a sua resistência à cooperação, assim, diminua um pouco. Já Beatriz, ainda segue sem um enquadramento específico, ainda que eu já tenha minhas suspeitas.

A verdade é que tão - ou mais - importante que o conhecimento do temperamento deles, conhecer o meu próprio foi fundamental no nosso caminho da Educação Domiciliar. Porque nada é mais eficiente que o exemplo. O caminho a percorrer ainda é tão grande que eu sequer vislumbro o final, se é que ele existe. Mas eu já consigo colher alguns frutos e visualizar alguns avanços no nosso dia a dia. Se antes o remorso e o arrependimento eram meus companheiros quase inseparáveis por conta de meus rompantes coléricos, hoje eu já sobrevivo vários dias sem experimentá-los. Agradeço eu, agradecem eles e agradece também a nossa família que, embora MUITO distante do desejável, segue buscando melhorar a cada dia.

Que Deus siga nos transformando para que possamos, através do Seu agir em nós, encontrar a Paz que excede todo o entendimento. 

Fiquem com Deus!

Waleska Montenegro.




quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nós e a Educação Domiciliar

Algumas pessoas constantemente me pedem para escrever sobre a nossa decisão pela Educação Domiciliar. Eu, sinceramente, acho que já escrevi sobre isto no Instagram, mas como eu não vou ficar procurando em 4.081 publicações, resolvi fazer uma postagem aqui no Blog mais completa e mais atual.

Há uns quatro anos eu achava que Homeschooling só existisse nos Estados Unidos. JAMAIS pensei em praticar isso com nossos filhos, muito pelo contrário, sonhava com o dia em que os levaria pela primeira vez para a escola, imaginava a festa do ABC... Mas o que era um sonho foi virando um incômodo, o incômodo virou uma preocupação, a preocupação se transformou em medo e o medo foi a mola propulsora para a coragem.

Sempre foi consenso que tardaríamos o máximo a ida dos nossos filhos para a escola. É importante destacar aqui que essa postergação só foi possível por que Deus colocou dois anjos em nossas vidas que cuidavam deles enquanto nós trabalhávamos. Para quem não sabe, moramos longe de nossos familiares então ou arranjávamos alguém para cuidar deles ou eles teriam que ir para algum berçário. Esta última opção, inicialmente, me causou pânico, pois, aos 4 meses, quando encontramos uma pessoa para ficar com Sophia, eu a descartei com dois dias e fiquei sem chão. Mas Deus providenciou tudo de maneira perfeita e logo em seguida encontramos nosso primeiro anjo: Luíza.

Quando Sophia estava com 1 ano e 5 meses nasceu Gabriel. Quando ele estava com 3 meses, Deus nos enviou Verinha, nosso segundo anjo. Com a equipe pronta, tudo estava perfeitamente desenhado para que eles só fossem para a escola aos seis.

Quando Gabriel estava com 3 meses nós nos mudamos. Saímos do Recife para uma região com condomínios horizontais. Saímos de uma gaiola para uma casa com quintal e essa mudança já causou um impacto bem positivo em nossas vidas.

As crianças brincavam no jardim, tomavam banho de sol, comiam frutas tiradas do pé... Mas como tudo tem dois lados, eu comecei a sofrer com a distância ( 35 km para o meu trabalho) e o cansaço e a saudade começaram a pesar no meu dia a dia...

Então eu engravidei de Beatriz... Até então nada de Homeschooling, nada de atividades formais com as crianças. Eu os estimulava apenas com as brincadeiras, com leituras sem tanta freqüência, com jogos de encaixe, ensinando cores, letras, formas... 

Quando Beatriz nasceu, Sophia estava com quatro anos recém completados e Gabriel prestes a fazer três. O prazo dos seis anos aproximava-se e a minha inquietação começou a ficar maior.

Certo dia, quando conversava com meu esposo sobre possíveis escolas - com o meu coração apertado -, ele falou sobre a possibilidade de nós alfabetizarmos eles em casa. O Professor Olavo havia mencionado o curso do Professor Carlos Nadalim e ele se interessou. Conversamos, compramos o curso e enquanto eu estava de licença maternidade, fui fazendo e começando a aplicar com as crianças.

À medida que eu avançava no curso, recuava na decisão de matriculá-los em uma escola. Certo dia, o Professor Carlos Nadalim mencionou um curso on line ministrado pela Camila Abadie. Em seguida, ela criou um sobre Homeschooling, que eu também fiz. Através da Camila, encontramos o Rafael Falcon, que nos apresentou o Francisco Escorsim... Enfim, uma coisa foi levando à outra e, certo dia, já próximo do meu retorno ao trabalho, meu esposo decide optar pelo Home Office e assumir a empreitada com eles. 

Meu retorno ao trabalho foi difícil. A esta altura eu já estava cogitando pedir uma licença sem vencimentos para ficar em casa com as crianças. Pedi muito a Deus que me ajudasse a conseguir ficar em Home Office também e uns seis meses após o meu retorno, Ele atendeu as minhas preces.

Comigo em casa tudo mudou... O meu astral mudou, as crianças mudaram, a nossa rotina mudou!

Aos poucos fomos nos adaptando e construindo a nossa rotina de estudos, mas ouso dizer que a Conferência que ocorreu no Rio em 2016 foi um marco em nossa decisão pois foi justamente depois dela que escolhemos seguir pelos caminhos da Educação Clássica.

Hoje, quase dois anos depois da nossa decisão, percebo quão certa e transformadora ela foi... Não, não foi fácil decidir, tão pouco o é permanecer, mas o caminho é extremamente gratificante e, sobretudo, santificador.

Quando começamos, eu sequer sabia COMO começar, para onde ir, o que fazer... E foi difícil encontrar material, acho que por isso tento divulgar o máximo que posso de nossa caminhada. Mas posso dizer, hoje com uma certa propriedade, que o COMO vem, que a direção aparece e que a capacidade surge, por que como diz um velho ditado: "Deus não chama os capacitados, Ele capacita os escolhidos!"

É assim que eu olho para esse meu chamado: como uma missão! Uma missão nobre, povoada de renúncias, uma missão que deu significado à minha existência, que remodelou minha vida e meu coração a tal ponto... Que hoje eu sou capaz de desistir de TUDO, menos dela!

Fiquem com Deus!









quarta-feira, 19 de abril de 2017

Filhos, Livros e Transformações.

Eu sempre tive muito latente em mim o desejo de ser mãe, mas este acabou se realizando um pouco tarde e, infelizmente, isso me trouxe alguns arrependimentos.

Quando engravidei de Sophia eu tinha 33 anos e o desejo de ter uma prole de quatro. Foi uma gestação completamente normal, com enjôos até o terceiro mês, sono, fome... Enfim, tudo dentro do padrão. Inicialmente, considerando que moramos longe de nossas famílias, a idéia era contratar uma enfermeira para nos ajudar nos primeiros meses, mas Deus já estava trabalhando silenciosamente em mim e eu sequer percebia.

A idéia da enfermeira foi descartada antes mesmo de Sophia nascer, prevalecendo apenas a de que teríamos uma pessoa para nos ajudar com as coisas da casa e, quando eu voltasse a trabalhar, que ficasse com Sophia.

Como sou Servidora Pública, programei minhas férias apenas para quando ela nascesse, ficando mais de 6 meses em dedicação exclusiva à nossa primogênita que chegou arrebatando meu coração. O retorno ao trabalho foi difícil, inicialmente consegui ficar dois meses em meio período o que garantiu a ela esta mesma prorrogação na amamentação. Seu desmame foi natural, por escolha dela própria. Eu seguia trabalhando, vindo almoçar em casa para matar as saudades que sentia dela e estar presente em sua vida pelo menos da melhor forma que poderia àquela época. Ainda morávamos em Recife e, a esta altura, já estava grávida de Gabriel.

Sophia teve exatos 17 meses e 11 dias como filha única. No dia 12/01/2012, nasceu Gabriel e, com ela, uma sobrevivente. Nós nem imaginávamos o que estava por vir...

Gabriel nasceu, assim como Sophia, através de uma cesárea. Um parto super tranqüilo, com 39 semanas completas. Nasceu com 3 voltas no pescoço e um nó completo no cordão umbilical, presenteando a Pediatra com uma xixada assim que ela o retirou da minha barriga. Fiquei dois dias no hospital quase morrendo de tanta saudade de Sophia. Nós nunca havíamos nos separado antes.

Os primeiros meses de Gabriel foram MUITO sofridos. ele possuía algum desconforto gástrico que o impedia de dormir, chorava 24h por dia, mamava de maneira sofrida, não aceitava ninguém exceto eu. Hoje, depois de alguns livros que li, percebo que o que ele tinha é o que alguns pediatras chamam de exterogestação. Descobri isso quando já estava grávida de Beatriz, ao ver um vídeo e ler uns livros do Pediatra Harvey Karp. Para ele, os três primeiros meses do bebê podem ser considerados como o quarto trimestre da gestação. Pode parecer meio doido, mas depois do que vivemos com Gabriel fez TODO sentido para mim.

Quando Gabriel tinha pouco mais de dois meses nos mudamos para uma região mais afastada do Recife. Nos mudamos para uma casa, com jardim, em um condomínio com muita árvore, chão batido, passarinhos... Acho que foi a partir daí que Deus intensificou o Seu trabalhar em mim, pois muito do que antes fazia sentido se perdeu e eu comecei a atravessar o meu deserto e passar por minhas metamorfoses.

A questão de morar há 35 km do seu trabalho em uma cidade como Recife pode significar horas perdidas em um trânsito caótico e enlouquecedor. E logo o peso desta dupla jornada começou a pesar em mim não só fisicamente, mas sobretudo no meu emocional que já não suportava as separações diárias. Para quem desconhecia o que era saudade, posso dizer que Deus soube direitinho como me apresentar seu significado.

Mas foi com a gestação e com o nascimento de Beatriz que o ciclo se fechou...

Das três, foi sem dúvida a mais difícil. Não apenas pelo aspecto físico do cansaço por ter que dar conta de outros dois, mas por que desenvolvi uma tal de Síndrome das Pernas Inquietas que me impediu de dormir à partir do sexto mês. Eu não sabia, mas Deus já estava me preparando, me transformando, me fazendo rezar nas madrugadas solitárias onde todos dormiam e eu perambulava pela casa. Como eu só dormia quando o cansaço era maior que a agonia, e nem vou tentar descrever o que sentia pois é indefinível, eu comecei a ler bastante. A esta época, já estávamos cogitando a Educação Domiciliar e eu mergulhei fundo neste universo.

A questão é que este tipo de educação te encaminha para um estilo de vida bem diferente do padrão atual, mas que era muito próximo do que já vivíamos, considerando que nossos filhos, até então, nunca tinham ido para a escola ( e assim permanece até hoje, graças a Deus).

Inevitavelmente, você acaba encontrando algumas pessoas, encontra alguns Blogs, descobre livros, entra em crise de identidade, se descobre, verdadeiramente se converte e, então, a realidade de suas escolhas aponta na sua frente como um outdoor em neon. E nem sempre a descoberta da verdade pode reverter as conseqüências de anos de escolhas erradas, ainda que estas não tenham sido, diretamente, culpa sua.

Eu percebo, hoje de maneira cristalina, como nós, mulheres, somos achatadas pelo peso de um movimento que, de maneira sutil, destruiu nossa própria natureza. E agora, depois de sei lá quantos caracteres, vou ilustrar este post com um livro que foi fundamental no meu processo de transformação, por que, acreditem, eu tinha TUDO para ser uma destas loucas de sovaco cabeludo...


Este livro me fez ver como podemos trabalhar e defender uma causa sem sequer concordar com ela, mais, sendo inclusive contra tudo o que esta causa defende. A clareza com que este livro expõe a realidade me fez perceber, refletir e reavaliar MUITAS de minhas atitudes, sinalizando, enfim, a minha direção. E era uma direção que apontava para trás... Era um retorno, e eu comecei a caminhar sem medo de pisar no cacos dos meus próprios cristais, aqueles que eu fui quebrando um a um, aqueles que, durante anos e anos, eu colecionei.

Depois de ler O Outro Lado do Feminismo, eu mergulhei neste maravilhoso livro:


Este livro me apresentou o que sempre sonhei para mim mas que me roubaram. E eu sinalizei a Deus esta minha vontade, que crescia como cresce uma úlcera quando você não consegue encontrar uma solução para um problema. Era maio de 2016 e eu estava em casa, ainda gozando da licença maternidade de Beatriz que se prolongaria por mais alguns meses que eu juntei de férias acumuladas. Com o processo de mudança interior veio, junto, a verdadeira conversão. E o desejo de fazer TUDO o que Deus assim deseja de mim, embora a gente muitas vezes a gente não saiba o que é ou não se julgue capaz. Depois de devorar De Volta ao Lar, parti para O Amor Que Dá Vida e compreendi, então, o que é vocação e qual é a verdadeira vontade de Deus para nossas vidas.



Eu sigo, hoje, ainda sofrendo as conseqüências de descobrir este caminho de volta tão tarde, mas sigo crendo que Deus é quem sabe de TUDO, já que nenhuma folha cai de uma árvore sem que Ele tenha ciência disto. Eu não sei o que nos reserva o amanhã, mas hoje eu verdadeiramente rezo para Ele dizendo: Cumpra em mim o Teu querer, ainda que este não coincida com o meu.

Considerando que foram nossos filhos que me conduziram a este retorno, não poderia deixar de citar aqui, também, estes dois livros que foram, então, o selo de cola quente no meu processo de conversão e na nossa decisão de educar nossos filhos em casa. É impossível passar incólume a estes livros! É impossível experimentá-los sem que haja uma verdadeira transformação, exceto se seu compromisso não for com a verdade.



Ele me inspirou a escrever isto hoje, talvez seja para alguém em especial, mas a verdade é que, NADA é mais inspirador e transformador do que um testemunho. Este é o meu... Ou o início dele!

Fiquem com Deus!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Maternidade: Uma História de Amor, Perdão e Recomeços

Coração de mãe tem labirintos de sentimentos, esquinas de saudades e encruzilhadas de solidão...
E muitas vezes, imersa nesta solidão de entendimentos, onde é difícil compartilhar e traduzir o medo, a dor e até mesmo a solidão, o coração parece encontrar abrigo apenas n'Ele, nos braços d'Ele, naquele ouvido que escuta e lê teus pensamentos íntimos, que justifica cada um dos teus medos e angústias, que preenche cada pedaço dessa tua solidão...
A maternidade é a mais plena, intensa e perfeita expressão do que é o amor... E, talvez por isso, ou exatamente por isso, é justamente nela que percebemos a necessidade de aprender a exercitar o perdão... 
E esse exercício de perdão passa, sobretudo, pelo nosso próprio perdão...
Perdão pelas vezes que perdemos a paciência;
Perdão pelas vezes que gritamos ou batemos;
Perdão pelas vezes que não conseguimos ser quem gostaríamos, ainda que tenhamos a consciência de que somos o melhor para eles;
Perdão pela displicência de não observar com toda atenção aquele desenho que nosso filho fez;
Perdão pelo não desnecessário, que muitas vezes se esconde em nosso comodismo;
Perdão pela irritação quando, ao final do dia, eles ainda possuem o dobro da energia que nos falta...
Perdão, simplesmente perdão...
Mas a maternidade é esse eterno recomeço, como aquela segunda que sempre marca o início de uma nova dieta, de um novo estilo de vida.
A maternidade está sempre nos dando a opção de uma segunda chance, uma opção de melhorar, de crescer como mãe, como ser humano...
Foi assim comigo, está sendo...
Luto contra meu gênio, contra minha hiperatividade de querer poder fazer tudo que eles precisam e, também, o que gosto...
Luto contra o cansaço ao final do dia, na hora crítica em que ele parece querer me derrubar e que eles parecem ainda estar despertando...
Luto contra a irritação das noites partidas que me deixam eternamente com sono...
Luto contra tudo que me faz, muitas vezes, descontar neles sentimentos e sensações que eles não merecem, que sequer conhecem e que só me entristecem...
Mas eu me apodero do amor de Deus, da Sua graça e do Seu perdão...  E recomeço...
Prometendo seguir lutando para transformar-me em alguém de quem se orgulhem, de quem lembrem com amor, admiração e gratidão...
Olho-me no espelho...
Ainda há sinais de quem um dia eu fui... 
Fecho meus olhos... O reflexo no espelho ainda é o mesmo, com algumas rugas, uns quilos  a mais, algumas cicatrizes no corpo... 
Poderia olhar-me com tristeza pela certeza de que não somos imortais, mas olho-me com orgulho pois quem eu fui está cada dia mais distante, partindo sem deixar nenhuma saudade, renovando-se naqueles e por aqueles que são, sem a menor sombra de dúvidas, os maiores responsáveis pelas curas, mudanças e alegrias de toda minha vida...
Hoje é sexta, mas poderia muito bem ser segunda...
Quem faz o dia e a hora é você!